Afrosinfônica e Rumpilezz ampliam mobilização por políticas permanentes de fomento em audiência pública na Alba

Por Assessoria de Comunicação
20/05/2026 19:59
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A audiência pública realizada nesta terça-feira (19), na Assembleia Legislativa da Bahia, reuniu artistas, representantes do poder público e agentes culturais em defesa da criação de políticas permanentes de fomento para a Orquestra Afrosinfônica e a Orkestra Rumpilezz. O encontro, proposto pela deputada Olívia Santana, discutiu caminhos para garantir estabilidade institucional, manutenção e continuidade das duas iniciativas musicais, reconhecidas por unir música de matriz africana, formação social e pesquisa artística.

Realizada no auditório da Alba, a audiência “Sons da Bahia: Fomento para as Orquestras Afrosinfônica e Rumpilezz” marcou um novo capítulo na mobilização em torno da chamada publicização das orquestras — modelo de política pública já adotado pelo Estado em outras experiências culturais baianas.

Durante o debate, Ubiratan Marques, maestro da Afrosinfônica, ressaltou a necessidade de reconhecimento das orquestras negras como patrimônio vivo da cultura brasileira.
“A gente precisa cuidar dos nossos jardins. O mundo precisa conhecer Luiz Gonzaga, Pixinguinha e saber quem é Lazzo, Gerônimo, Roberto Mendes. A música brasileira só existe por conta dos terreiros”, pontuou o maestro, ao defender a valorização das matrizes afro-brasileiras como fundamento da música nacional.

Ubiratan também chamou atenção para os desafios enfrentados pelas iniciativas ao longo das últimas duas décadas. “A gente vive há 20 anos do zero. Sem nenhum tipo de apoio permanente, mas representando a música brasileira dentro e fora do país”, observou.
O diretor institucional da Rumpilezz, Emílio Souza, reforçou os desafios enfrentados diariamente para manter os projetos em atividade. “Muita gente vê as apresentações, mas poucas pessoas conhecem a batalha permanente para manter essas orquestras vivas”, relatou.
Representando a Ancine, Paulo Alcoforado enfatizou que as duas formações desenvolvem uma tradição própria da música sinfônica negra brasileira, conectada à diáspora africana e à música de terreiro.
“As orquestras Afrosinfônica e Rumpilezz influenciam hoje o pensamento e a criação da música brasileira. São iniciativas que unem pesquisa, composição autoral, formação artística e inovação estética”, afirmou.
A deputada Olívia Santana afirmou que a audiência busca construir estratégias concretas para assegurar a continuidade e a manutenção das duas orquestras. Segundo a parlamentar, a proposta é que o Governo da Bahia incorpore as iniciativas às políticas públicas permanentes de cultura já existentes no estado.
O evento contou com apresentação conjunta das duas orquestras e participação de alabês, simbolizando a força da ancestralidade e da música de terreiro na construção da identidade cultural baiana. O encontro reuniu artistas como Lazzo Matumbi, Mateus Aleluia, Gerônimo Santana, Roberto Mendes e Roberto Barreto, além de Maria Marighella (Funarte) e Ângela Guimarães (Sepromi) e demais agentes do setor cultural.
“Recebemos com ânimo renovado esta iniciativa do Maestro Bira Marques de pensarmos - nós sociedade na sobrevivência social saudável e dignificada das Orquestras. Creio que as orquestras tem um papel fundamental em propiciar momentos sociais de convívio equilibradamente saudável cuja finalidade será contribuir para o serer humano exercitar o querer bem”, comenta Mateus Aleluia.
A audiência também reforçou o papel da Casa da Ponte Maestro Ubiratan Marques, organização sociocultural sediada no Centro Histórico de Salvador e comandada pelo maestro Ubiratan Marques. O espaço atua na preservação patrimonial e na educação musical afro-brasileira, desenvolvendo atividades formativas voltadas para crianças e jovens.