MARÇO AMARELO: Dor intensa na menstruação pode ser endometriose? Entenda os sinais de alerta

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Doença afeta 1 em cada 10 mulheres e pode levar até 10 anos para ser diagnosticada

 

A cólica menstrual intensa ainda é frequentemente tratada como algo “normal” na vida da mulher. No entanto, quando a dor interfere na rotina, provoca faltas no trabalho ou na escola e vem acompanhada de outros sintomas, pode ser sinal de endometriose – uma condição que afeta uma em cada dez mulheres, segundo a Associação Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE). No Brasil, estima-se que pelo menos oito milhões sofram com a doença e boa parte não saiba.

A endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, cresce fora dele, podendo atingir ovários, trompas, intestino e bexiga. O resultado pode ser dor intensa, inflamação crônica e, em alguns casos, infertilidade. De acordo com o ginecologista Eduardo Gerde, coordenador médico do Programa de Endometriose da Hapvida, a cólica menstrual incapacitante não deve ser automaticamente considerada normal. “Um dos grandes desafios da endometriose é justamente a normalização da dor intensa, o que pode atrasar o diagnóstico”, explica.

Quando desconfiar?

Diferenciar uma cólica comum de um possível quadro de endometriose envolve observar intensidade, duração e impacto na qualidade de vida. “A cólica habitual tende a melhorar com analgésicos simples e não compromete de forma importante as atividades do dia a dia. Já na endometriose, a dor pode ser progressiva, resistente a medicamentos comuns e surgir também fora do período menstrual”, destaca o especialista.

Entre os principais sinais de alerta estão cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, dor para evacuar ou urinar no período menstrual, além de alterações intestinais ou urinárias relacionadas ao ciclo. A dificuldade para engravidar também pode estar associada à doença. “É importante lembrar que algumas mulheres podem apresentar poucos sintomas ou até serem assintomáticas, o que reforça a importância do acompanhamento ginecológico regular”, acrescenta.

Diagnóstico e tratamento

Não existe um único exame capaz de confirmar todos os casos de endometriose. O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada e exame físico. Exames de imagem, como ultrassonografia com preparo intestinal ou ressonância magnética, podem auxiliar na identificação das lesões. “A definição do melhor método depende da história clínica e da suspeita médica. Por isso, o olhar atento do ginecologista é fundamental”, explica Gerde.

A doença pode evoluir ao longo do tempo, especialmente quando não tratada. As lesões podem aumentar, causar inflamação persistente e formação de aderências entre órgãos pélvicos. “O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para controlar a sua progressão e preservar a qualidade de vida da mulher”, afirma.

Impacto além da dor

O impacto não é apenas físico. A dor crônica e as limitações impostas pela condição podem afetar a saúde mental. “Existe uma relação importante entre endometriose e sofrimento emocional. A dor persistente, a repercussão na vida sexual e as possíveis dificuldades reprodutivas podem contribuir para ansiedade e sintomas depressivos. O cuidado deve ser integral, considerando também o suporte psicológico quando necessário”, reforça o médico.

A principal mensagem, segundo o especialista, é clara: dor incapacitante não deve ser ignorada. “Sentir dor intensa não é algo que a mulher precise simplesmente aceitar. Procurar avaliação ginecológica é o primeiro passo para diagnóstico e tratamento adequados”.

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