Sereia do Rio Vermelho é restaurada antes da Festa de Iemanjá

Por Mateus Soares / Secom PMS
30/01/2026 15:35
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A escultura A Sereia do Rio Vermelho, de autoria do artista plástico baiano Tatti Moreno, passou por uma restauração antes da Festa de Iemanjá, celebrada em 2 de fevereiro, na próxima segunda-feira. O processo de recuperação foi conduzido pelo artista plástico José Dirson Argolo, através da Fundação Gregório de Mattos (FGM), responsável pela preservação do patrimônio artístico de Salvador.

Instalada no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho, a obra é uma das referências da arte pública de Salvador e integra o conjunto de esculturas de temática afro-religiosa deixado por Tatti Moreno, que faleceu em julho de 2022, aos 77 anos.

Segundo o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, a intervenção reforça o papel institucional da Fundação na conservação desses monumentos. “A requalificação da Sereia do Rio Vermelho, obra de Tatti Moreno, reafirma o compromisso da FGM com a preservação da arte pública e com a valorização da cultura afro-baiana, mantendo viva a relação de Salvador com o mar e com a força simbólica de Iemanjá”, afirmou.

Professor da Escola de Belas-Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o artista plástico José Dirson Argolo disse que, por se tratar de uma escultura em fibra de vidro, a peça sofre menos com a ação das intempéries e da maresia do que obras em ferro ou bronze, mais vulneráveis à corrosão. “Ainda assim, ela apresentava desgastes na pintura, manchas, pichações e colagem de cartazes publicitários no pedestal. A parte mais comprometida era justamente o pedestal, feito em concreto com acabamento em cimento liso, sem pintura, que apresentava muitas perfurações e estava bastante danificado, sobretudo na parte superior”, explicou.
Argolo também destacou a relevância da obra no conjunto artístico de Tatti Moreno e no espaço urbano da capital baiana. “Dentro da obra de Tatti Moreno, a Sereia do Rio Vermelho se destaca, ao lado das esculturas do Dique do Tororó, pelo porte e imponência. Está localizada em um ponto de grande visibilidade e é uma escultura bem proporcionada”, disse.
Segundo o artista, a imagem representa Iemanjá, orixá das águas salgadas, com elementos simbólicos como o abebé, em forma de estrela, além de referências à fecundidade feminina e à abundância dos peixes da Baía de Todos-os-Santos.
O processo de restauração incluiu a limpeza completa da escultura, com uso de produtos químicos e instrumentos específicos, aplicação de material de proteção e repintura no tom original definido pelo autor. “Utilizamos tinta automotiva dourada, mais resistente ao sol e à chuva do que tintas convencionais”, relatou o artista. No pedestal, foi feita a reconstituição das partes danificadas com o mesmo tipo de material, além do fechamento de lacunas, recuperação da parte superior e aplicação de verniz.
O trabalho foi executado em cerca de dez dias, considerando a montagem de andaimes, tapumes e todas as etapas do restauro. Argolo ressaltou que esse tipo de intervenção tem impacto direto na preservação da memória cultural da cidade e na relação da população com a arte pública.
“Esse é um trabalho que realizamos há muitos anos, junto com a equipe do meu estúdio, o Studio Argolo, sempre com o objetivo de preservar os monumentos de Salvador, atendendo às solicitações e orientações da Fundação Gregório de Mattos”, explicou.
Concluída a requalificação às vésperas da Festa de Iemanjá, a expectativa é de que a escultura volte a integrar o roteiro simbólico das homenagens à orixá no Rio Vermelho. "Com a restauração, essa escultura, localizada em uma praça de destaque e de frente para o mar, certamente será bem aproveitada e pode até receber homenagens dos devotos”, concluiu o artista.
Fotos: Instituto Argolo e Bruno Concha / Secom PMS
Reportagem: Mateus Soares / Secom PMS