Queda de cabelo progressiva pode indicar alopecia androgenética e exige avaliação médica

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Queda de cabelo progressiva pode indicar alopecia androgenética e exige avaliação médica

A alopecia androgenética é uma condição caracterizada pela queda progressiva dos fios de cabelo, causada principalmente por fatores genéticos e hormonais. Apesar de ser mais conhecida por acometer homens, ela também afeta muitas mulheres, podendo se manifestar desde a infância ou adolescência, como relatado recentemente pela cantora Maiara, da dupla Maiara & Maraisa. Trata-se de um afinamento gradual dos fios e redução da densidade capilar, especialmente no topo e na região frontal do couro cabeludo, sem que haja, necessariamente, falhas completas no início do quadro.

É importante diferenciar a queda de cabelo comum da alopecia androgenética. A queda capilar fisiológica acontece de forma difusa e temporária, sendo normal perder entre 50 e 100 fios por dia, especialmente em períodos de estresse, pós-parto ou mudanças sazonais. Já a alopecia androgenética é crônica e progressiva: os fios vão ficando cada vez mais finos, curtos e frágeis, processo conhecido como miniaturização, até que o folículo pode deixar de produzir cabelo visível.

Entre os principais sinais de alerta estão o afinamento dos fios, redução do volume capilar, aumento da visibilidade do couro cabeludo e dificuldade de crescimento dos cabelos. No caso das mulheres, raramente ocorre calvície total, mas a perda de densidade pode impactar significativamente a autoestima e o bem-estar emocional. Por isso, observar mudanças graduais e persistentes é fundamental para buscar ajuda especializada o quanto antes.

Os fatores envolvidos na alopecia androgenética incluem a predisposição genética, a ação dos hormônios androgênicos e, em muitos casos, componentes emocionais. Alterações hormonais, como as relacionadas à síndrome dos ovários policísticos, menopausa ou oscilações metabólicas, podem intensificar o quadro. Além disso, estresse crônico, ansiedade e transtornos emocionais não são causas diretas, mas podem agravar a queda e dificultar a resposta aos tratamentos.

O diagnóstico dermatológico precoce é essencial para controlar a progressão da alopecia androgenética. O dermatologista é o profissional capacitado para avaliar o couro cabeludo, solicitar exames quando necessário e diferenciar a condição de outras causas de queda capilar. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de preservar os fios existentes e estimular o crescimento de novos cabelos.

Atualmente, existem diversos tratamentos disponíveis, como medicamentos tópicos e orais, terapias hormonais, procedimentos como microagulhamento, laser de baixa intensidade e, em casos selecionados, o transplante capilar — inclusive para mulheres. No entanto, é fundamental reforçar que queda de cabelo tem tratamento, mas ele deve sempre ser conduzido por um especialista. A automedicação e as chamadas “soluções milagrosas” podem atrasar o diagnóstico correto e até agravar o problema. O acompanhamento dermatológico contínuo garante segurança, eficácia e um plano terapêutico individualizado, respeitando as particularidades de cada paciente.

Por Dr. Gustavo Sampaio Ribeiro, dermatologista da Clínica IBIS